O lixo é um erro de design

Certa vez, ao se deparar com sua mãe, Marge, lavando sua roupa, Bart Simpson se mostrou chocado.

Ele acreditava que magicamente suas roupas apareciam limpas e passadas em sua cômoda.

Ao visitar o galpão da ‪#‎EmpresaB Recicladora Urbana, confesso que é um pouco desse sentimento que creio que muitos sentiriam. Para onde vão os quase 7 quilos de resíduos eletroeletrônicos que cada brasileiro despeja no meio-ambiente por ano? Não há mágica: vai para o planeta Terra ou, no melhor das hipóteses, será largado em uma gaveta em sua própria casa.

Empresas como a Recicladora Urbana viram uma oportunidade de mercado que chamamos de "lixo eletrônico" e desenvolveram um modelo de negócio que endereça um problema grave no mundo do século XXI. Em 2 anos, a Recicladora Urbana retirou do mercado mais de 300 toneladas de resíduos eletrônicos e os retornou à economia em formato de plástico, aço, alumínio, etc.

Como acelerar isso? como sempre: é preciso mudar a cultura e a regra do jogo. Consumimos desenfreadamente, sem nos dar contas do esgotamento de recursos e tampouco cuidamos do retorno do produto à economia circular.

Por mais que exista a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), as mudanças são lentas e a conta, que não está sendo paga por fabricantes, atacarejistas e nem consumidores, está indo para o planeta. Milhares de pessoas, que buscam no metais preciosos dos componentes eletrônicos uma forma de sobrevivência, colocam em risco suas vidas e de outros nesse processo - um monitor de 17 pol. CRT chega a ter 1kg de chumbo.

Além disso, um dos problemas mais graves: os produtos não foram desenhados para serem retornados à economia. Apesar de um laptop, por exemplo, ter 100% de peças recicláveis, o seu design é feito de forma que o processo de coleta, descaracterização, desmontagem, descarte ou reuso, seja inviável. Vejam a quantidade de parafusos, tinta ou mistura de componentes que inviabilizam o processo. Designers: precisamos de vocês na indústria. Consumidores, além do óbvio consumo consciente, precisamos de uma pressão na indústria e na mudança da regra do jogo, antes que a PNRS seja a lei que não pega no Brasil. Líderes políticos: não preciso dizer qual seu papel. Apenas viabilizem.

Gonzalo Muñoz Abogabir da #EmpresaB TriCiclos Brasil me inspira quando diz que "la basura es un error de diseño". Eu acredito na força do mercado para tornar a economia linear em circular. Acredito que podemos criar uma nova consciência de consumo e acredito que podemos também mudar a regra do jogo.